AMAMENTAÇÃO APÓS CIRURGIA DE MAMA (PARTE 1)

PARTE 1

Como acontece com qualquer cirurgia em qualquer parte do corpo, a cirurgia na mama deve ser realizada apenas se necessária e somente se outros exames (ultrassom e ressonância magnética, por exemplo) ou outros tratamentos não tiverem ajudado na definição ou solução do problema. Infelizmente, muitos cirurgiões, mesmo cirurgiãs, parecem adolescentes pensando em seios; isto é, pensam que os seios são para excitação masculina (desculpe) e servem apenas para fins sexuais. Não incluo todos os cirurgiões, é claro. Alguns entendem a função do seio, que é alimentar bebês e crianças pequenas. Mas muitos parecem ignorar completamente a razão principal para a existência de seios: alimentar bebês e crianças pequenas, confortá-los e aconchegá-los. Algumas partes do corpo podem ter um lado sexual e outro lado também. A boca, por exemplo, nos possibilita comer e também beijar outras pessoas para demonstrar afeto.

Nenhuma outra parte do corpo é vista da mesma maneira que o seio, que a cirurgia o torna menos capaz de cumprir sua real função. Se uma determinada técnica cirúrgica no nariz, digamos, resultasse na maioria das vezes em pessoas que não podem respirar pelo nariz, essa cirurgia seria fortemente desencorajada e até mesmo condenada pelos órgãos reguladores médicos. Mas a cirurgia na mama não parece ser regida pela mesma restrição. Mais uma vez, em sociedades abastadas, a amamentação não é vista como essencial – na melhor das hipóteses é vista como “boa, mas não necessária”.

 

VIDEO 1: Observe este bebê no peito. A mãe neste vídeo fez cirurgia de redução de mama. A segunda parte do vídeo mostra outro bebê mamando bem no peito. Decida se o primeiro bebê está recebendo leite suficiente da mama. Você pode encontrar a resposta no final deste blog.

Cirurgia da mama feita antes de ter bebês (redução da mama e aumento da mama)

Não vou discutir porquê as mulheres podem querer tal cirurgia, mas acho justo dizer que a maioria, não todas, é feita antes da mulher ter filhos. Na verdade, se posso avaliar pelas nossas pacientes no Centro Internacional de Amamentação, na maioria das vezes, a mulher operou com apenas 14 anos ou 16, 17 anos, idade em que ainda nem mesmo sonhou com filhos, fazendo com que a amamentação obviamente também não tenha sido pensada ainda. Em nossa sociedade, essa jovem pode não saber, como o cirurgião não sabe, que os seios são para alimentar e confortar bebês e crianças pequenas.

A diminuição na capacidade da mãe de produzir leite provavelmente tem pouco a ver com a quantidade de tecido mamário removido, uma vez que a diminuição do leite também ocorre na incisão periareolar para uma biópsia, por exemplo, onde nenhuma quantidade significativa de tecido mamário é removido ou também, como ocorre em outras cirurgias, onde algo (uma “prótese”) é adicionado.

Faço um apelo para que qualquer cirurgia na mama seja feita lembrando o propósito principal dela, ou seja, a alimentação de bebês e crianças sempre em mente. Acredito que a grande maioria dos cirurgiões nunca aprendeu como a mama em lactação é diferente e que a cirurgia deve ser adaptada à função da mama. Além disso, mesmo que uma jovem não esteja amamentando no momento da cirurgia, é possível e até mesmo provável que em algum momento no futuro ela esteja amamentando, e isso também precisa ser considerado durante a operação.

Incision around the areola for breast biopsy

FOTO 1: Esta incisão foi feita para uma biópsia de um caroço na mama. É muito longa e segue a linha entre a aréola e o seio. É muito provável que esta incisão interfira na produção de leite. É extremamente provável que a biópsia pudesse ter sido feita de forma diferente.

Circumferential incision and radial incision

FOTO 2: Esta incisão para um abscesso mamário tem maior probabilidade de cortar vários dutos e a cicatrização provavelmente será demorada, pois o peso da mama mantém a incisão aberta. A linha preta indica uma melhor incisão. É menos provável que corte dutos e o peso da mama ajuda a cicatrizar mais rápido, mantendo as bordas fechadas. No entanto, a cirurgia para um abscesso não é tão eficaz quanto a drenagem por cateter.


Na nossa experiência, a maioria das mulheres submetidas à cirurgia de redução de mama não consegue produzir leite suficiente, especialmente as submetidas à cirurgia com a incisão ao redor da aréola. Parece que alguns cirurgiões fazem a redução da mama sem esse tipo de incisão, mas não tenho conhecimento de nenhuma mãe que compareceu em nossa clínica que fez essa cirurgia de redução da mama sem incisão ao redor da aréola.

Algumas mães que frequentam nossa clínica têm conseguido amamentar exclusivamente após a redução da mama, mesmo com incisões completas ao redor da aréola, mas definitivamente são a minoria. No entanto, há alguns anos, acompanhamos uma mãe que havia feito redução de mama e, com nossa ajuda, conseguiu amamentar gêmeos exclusivamente por 6 meses e, em seguida, continuamos a amamentar ao seio, mesmo iniciando a introdução alimentar.

Infelizmente, quando pergunto a mães que fizeram cirurgia de redução de mama o que os cirurgiões disseram a respeito da amamentação antes da cirurgia, a resposta costuma ser uma das duas a seguir, ambas incorretas. Ou não haveria problema com a amamentação, claramente errada na maioria dos casos, ou que as chances de amamentar são de 50%, o que, pensando bem, não faz sentido. Na verdade, a mãe deve ser capaz de amamentar. Ela pode ter que suplementar o bebê, de preferência com um auxiliar de lactação junto ao seio, mas ela pode amamentar – lembrando que amamentar é muito mais do que leite materno.

O que o cirurgião deve dizer à mulher que quer a cirurgia de redução de mama? Que as chances dela conseguir amamentar exclusivamente seu bebê são baixas. Se essa mulher tem 16 ou 17 anos, talvez seja melhor esperar alguns anos, porque a cirurgia não pode ser desfeita, e em alguns anos ela pode ter uma visão diferente da vida. Se ela decidir fazer a cirurgia, procurar uma boa ajuda e conselhos sobre a amamentação quando estiver grávida, para que os problemas possam ser evitados o máximo possível.

Aumento de mama

Se o aumento das mamas é feito com a incisão próxima à parede torácica e a prótese aí colocada, não parece haver dificuldades para a amamentação, pelo menos não da própria cirurgia. No entanto, por algum motivo que só posso classificar como bizarro, alguns cirurgiões fazem incisões ao redor da aréola mesmo para aumento de mama. Se a incisão for ao redor da aréola, a produção de leite ficará comprometida. Há apenas duas razões que consigo pensar para fazer uma incisão ao redor da aréola para aumento do peito. Ou o cirurgião não sabe que isso pode afetar negativamente a amamentação e, se for o caso, como o cirurgião pode operar uma glândula da qual não sabe nada? Ou o cirurgião não se importa se a amamentação será afetada negativamente. Basicamente, “amamentar é bom, mas não é necessário”.

Continue lendo sobre a cirurgia feita na mama no momento em que a mãe está amamentando e quando ela encontra um caroço na mama.

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SOLUÇÃO para o vídeo: O primeiro bebê mostrado no vídeo está mamando uma quantia razoável de leite da mama e bebeu menos na outra mama (não mostrado neste vídeo). Como resultado, a ingestão total de leite materno era menos leite do que o bebê precisava e a mãe precisava suplementar o bebê com um auxiliar de lactação no peito (a produção de leite de ambos os seios é muito desigual após a cirurgia de redução e às vezes até se a mãe não fez nenhuma cirurgia). Você pode aprender se um bebê está mamando bem no peito ou não assistindo a mais de nossos vídeos e lendo os textos explicativos que mostram a pausa no queixo.

 

Copyright for the English original: Jack Newman, MD, FRCPC, Andrea Polokova, 2017, 2018, 2020

Copyright for the Portuguese translation: Jack Newman, MD, FRCPC, 2020

Translation to the Portuguese: Maria Luisa Silva Quintino (Brazil)

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